quinta-feira, 31 de março de 2016

Você não gosta de mim, nenhum golpista gosta!


Após a gravação de "Apesar de você" (1970), interpretada pelas autoridades  como uma ofensa a Armando Falcão, Ministro da Justiça do Brasil à época, os censores do Serviço de Censura de Diversões Públicas tornaram-se bastante rígidos com Chico Buarque. Todas as letras assinadas pelo compositor passaram a receber o carimbo "interditada". Para escapar da censura, especialmente após as proibições impostas ao álbum "Calabar", Buarque criou o heterônimo "Julinho da Adelaide", que passou a assinar as canções. A estratégia funcionou e músicas como "Acorda amor", "Milagre brasileiro" e "Jorge Maravilha"  passaram numa boa pelos censores.



Para não despertar suspeitas, Chico Buarque inseriu a letra de "Jorge Maravilha" entre duas estrofes de um texto maior, como se fosse uma suposta canção de amor romântico.   Com esse formato a composição foi encaminhada à  Polícia Federal e passou batida. Como não tinha a obrigação de gravar todo o texto aprovado, as estrofes inicial e final foram completamente descartadas, restando apenas o trecho que interessava.



"Jorge Maravilha" foi interpretada pelo artista pela primeira vez em "O Banquete dos Mendigos", projeto idealizado e dirigido por Jards Macalé e gravado no dia 10 de dezembro de 1973 no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. Durante muito tempo circulou uma lenda de que a canção teria sido feita para o ex-presidente Ernesto Geisel e a filha dele, uma grande fã de Buarque - especialmente ao verso "Você não gosta de mim, mas sua filha gosta". Mas, na verdade, segundo o próprio Chico, o verso irônico e a música referiam-se a uma situação vivida por ele: em uma declaração para a Folha de S.Paulo, em 1977, o cantor deu o seguinte veredicto: "Aconteceu de eu ser detido por agentes de segurança (do Dops), e no elevador o cara pedir autógrafo para a filha dele. Claro que não era o delegado, mas aquele contínuo de delegado"

Nesta gravação de 1974 Chico canta e - de quebra - conta uma deliciosa mentira sobre Julinho da Adelaide! História boa, música boa e Chico exalando charme por todos os poros!

Por Kênia Fernandes, em 30/03/16


terça-feira, 8 de março de 2016

O "ser" feminino

Joyce é a cara do Brasil! Uma cara, que infelizmente, faz mais sucesso fora do país do que por aqui...normal...

A morena de olhos de jade, voz de veludo, violão perfeito é mais carioca que o "Morro Dois Irmãos". Nascida e crescida em Copacabana, se misturou aos grupos de músicos que durante os anos sessenta reinventaram a música brasileira, criaram a tal MPB e fez história. Compôs, cantou e tocou com todo mundo que "causou" na música brasileira, casou com Nelson Ângelo, teve Clara e Ana (imortalizadas no clássico radiofônico Clareana), caiu na estrada com Vinícius de Moraes, descasou de Nelson Ângelo, conheceu o baterista de Jazz Tutti Moreno, casou de novo e estabeleceu uma parceria musical magnífica com o parceiro de vida. Uma mulher talentosíssima e efetivamente do nosso tempo.

O álbum "Feminina" (1980) é uma preciosidade! A faixa homônima celebra "o ser feminino" em toda sua essência! Joyce Moreno, "Feminina"!!!!

Escrito por Kênia Fernandes, em 18/02/16.


sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Gimme, gimme Stones!

Lembro direitinho da minha primeira vez: tinha uns 9, 10 anos, estava na sala da minha casa quando começou a tocar a música que abriu os meus ouvidos pela primeira vez pro rock'n roll. Não sei se foi o swing, não sei se foram os riffs, não sei se foram os vocais....só sei que daquele dia em diante entendi qual era a minha! A música era Gimme Shelter, a banda, The Rolling Stones. 

O caso de amor já dura vinte anos e sei que é pra sempre. Há dez, tive a minha primeira e inesquecível experiência ao vivo. Amanhã, será a segunda e, provavelmente, a última. Ansiosa, eu?

Com vocês,a música que não sai da minha cabeça, nunca!



segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

A odisseia Bowie




A ausência física de David Bowie é algo tão complexo, tão dolorido, que este blog levou um mês para se encorajar a falar sobre o tema. É um processamento lento...só o tempo será capaz de elucidar o papel de Bowie na história da cultura pop, na história do mundo. Possivelmente é a ligação do artista com o teatro, a mímica e a dança (dos quais foi estudante) que ajudaram a construir sua postura visionária no rock. Estética e artifícios dessas outras formas de expressão foram levadas para o mundo do rock'roll, redefinindo para sempre este estilo musical. 

A questão estética que acabou sendo a principal assinatura do músico é, no entanto, apenas "uma máscara necessária" para que as inquietações e visões de mundo de Bowie entrassem em cena. Daí sua importância ímpar: ator, mímico, dançarino, mágico, poeta, malabarista de ideias, palavras e imagens. Perturbador, perturbado, construtor, construído. Multiplicidade de signos que mergulham o ouvinte/espectador em uma "experiência" intensa. 

Apesar de Bowie ter lançado alguns discos antes de 1969, é praticamente um consenso que sua arte só alcança relevância a partir do lançamento do single "Space Oddity". Vários pesquisadores de Rock acreditam que o álbum seja influenciado por 2001 - uma Odisseia no Espaço (Stanley Kubrick, 1968). Na história contada por Bowie, o astronauta, Major Tom, entra em órbita, percebe a grandiosidade do universo e, evidentemente, sua pequenez, sua insignificância diante daquilo tudo. A "poeira cósmica" se desliga da espaçonave e entrega-se ao universo. As inquietações de Bowie estão praticamente todas ali: sentido da vida, verdade do universo, verdade do eu, verdade da verdade. Um pessimismo que, de certa forma, enterra a esperança hippie  de um mundo melhor. A viagem através dos signos e inquietações continua ao longo das décadas...Bowie vai reescrevendo o rock e perambulando pelas inquietações humanas. Mas a gente pára por aqui, nossa insignificância diante do artista não permite que falemos mais nada...


(escrito por Kênia, em 03/02/16)

"This is Major Tom to ground control
I'm stepping through the door
And I'm floating in the most peculiar way
And the stars look very different today"


terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

A maldição do show business

Este mês o Multishow e a Netflix exibem em sua programação o documentário Amy, dirigido por Asif Kapadia (o mesmo documentarista de Senna, de 2010), que nos mostra, através de entrevistas, filmagens e depoimentos, a trajetória de um talento desde os primórdios até sua morte (praticamente em frente às câmeras). 

Sim, a história de Amy Whinehouse mais parece um triste clichê que tanto se repete na cena artística mundial. A mesma combinação talento/problemas psicológicos/drogas/show business já levou muita gente embora, muito cedo. Porém, o que mais me entristece e me deixa incomodada é o quanto a exploração da imagem e do talento de artistas do mainstream é bem aceita e muitas vezes desejada pelo grande público. Não julgo o mercado da música, pois este está no seu papel de explorador, seguindo a lógica de qualquer mercado, mas sim a lógica do consumidor, de quem compra notícias, fofocas, boatos e fatos degradantes sobre a vida de um ídolo, de um ser humano.  

Amy, o documentário, incomoda! Vi através dele, mais uma vez, o rumo ao estrelato sendo tão penoso e tortuoso. É como se rolasse uma maldição do show business: você tem um talento e simplesmente não suporta o querem de você, não se encaixa em todos os requisitos que a indústria exige, não aguenta o rojão como se espera que você aguente...

Enfim, vamos de Amy Winehouse, esbanjando talento (como acho que ela merece ser lembrada)!


quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

As favoritas de 2015

O ano de 2015 não necessariamente vai nos deixar saudades, mas sim, me deixou muito feliz em termos musicais (ainda mais depois que eu assinei o Spotfy!)!

Fiz uma listinha com os meus lançamentos preferidos, aquelas canções que marcaram meu ano e ainda tão tocando no meu coração... Aí vai:


Keith Richards- Trouble

Keitch, my love, você sempre estará nas minhas listas, independente do que sejam! Mas este ano você nos deu de presente um álbum inteirinho de inéditas, depois de 23 anos! God bless you! Crosseyed Heart tem de tudo um pouco e um taaaannnto de Keith. Uma das minhas favoritas é Trouble, single de lançamento, que nada mais é do que Keith sendo Keith no melhor estilo dos Stones. 


Lauryn Hill- Feeling Good

A regravação do clássico de Nina Simone encaixou perfeitamente na voz de Ms Lauryn Hill e, pra mim, foi mais um presente do ano de 2015 que me trouxe Lauryn de volta, depois de tanto tempo sem gravar. A canção faz parte de uma coletânea chamada "Nina Revisited- A Tribute to Nina Simone", lançada na mesma época em que o Netflix lançou o documentário "What Happened, Miss Simone", que eu também mega recomendo!



Elza Soares- A Mulher do Fim do Mundo

Fechando lindamente minha lista, Elza Soares me emocionou com as canções do seu novo álbum "A mulher do fim do mundo", muito por tocar em temas que permeiam algumas das pautas mais importantes pra mim, como a violência contra a mulher (retratada na canção "Maria da Vila Matilde). Além, é claro, de nos trazer de volta todos os gritinhos, grunhidos e gemidos da amada Elza! 

Sobre a música de mesmo nome do álbum, só uma coisa eu tenho a dizer: putaqueopariu! A sofreguidão da voz de Elza nos último versos é de arrepiar e representa, em poucos segundos, toda a trajetória de vida da cantora.

Eu quero cantar até o fim
Me deixem cantar até o fim
Até o fim eu vou cantar
Eu vou cantar até o fim
Eu sou mulher do fim do mundo
Eu vou cantar, me deixem cantar até o fim

Então canta Elza, por favor! 


Ano que vem tamo de volta, que assim seja! Feliz Ano Novo!!!

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

O Cupido acertou em cheio!

Cupido é a última faixa (essa terminologia revela a idade da pessoa, né não?!!!!!) do CD  de estreia de Maria Rita (2003). Aquele que pegou muita gente de surpresa e dividiu muitas opiniões. Eu, particularmente, adoro! Acho Maria Rita inteira, profunda, sensual, intensa em todas as interpretações. E isso não é pouco, principalmente para quem sabia que iria carregar durante um tempo a carga de ser comparada com a mãe. Sinceramente, eu não queria ser filha de Elis Regina! Essa música de Cláudio Lins (outro filho "famoso", esse de Ivan e Lucinha Lins) é lindíssima, de uma languidez sensual, de um romantismo que inebria mas não chateia. Maria Rita, que entende do riscado nessa coisa de interpretar, captou direitinho o recado do compositor e entregou essa bela versão acompanhada pelo trio de inspiração jazzística que marcou a sonoridade de seus dois primeiros álbuns. Algum tempo depois, Cupido acabou fazendo parte da trilha sonora da festejada telenovela Avenida Brasil. Quem quiser conferir pode procurar também pela intimista versão em voz e piano do compositor, lindinha como ele! Música para quem acordou apaixonado...ou querendo se apaixonar.

By Kênia Fernandes


segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Alabama Rules!

Sou viciada no som do Alabama Shakes! Ultimamente não paro de ouvir "Don't wanna fight", single lançado este ano no segundo álbum da banda, Sound & Color e que, pra mim, é uma das melhores músicas de 2015.

Reparem como a pegada  groove  e o vocal de Britney Howard nos levam numa viagem pelo bom e velho R&B, influência confessa da banda. Ouçam e apreciem sem moderação!




quinta-feira, 7 de março de 2013

La revancha del tango


Além da música em si ser linda, o clipe tem cenas intensas da pelea do tango e foi gravado num dos lugares mais incríveis de Buenos Aires, La Catedral de AlmagroCom vocês, Snow Patrol-  This Isn't Everything You Are. 

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Dolores 602

em homenagem às meninas da banda Dolores 602, que andam por aí fazendo música boa e arrasando, a música de hoje é Suspiro Blues, que toca lá no fundo do útero de tão linda!


Curtiu? Conheça mais no: http://dolores602.tnb.art.br/